top of page

Sermão: Abraão – O Homem que Aprendeu a Ficar na Brecha

  • Foto do escritor: pastorivolucio
    pastorivolucio
  • há 2 horas
  • 6 min de leitura

Tema: Intercessão

Texto Base: Gênesis 18:22-33


Introdução


Quando pensamos em Abraão, geralmente vem à nossa mente o pai da fé, o homem da obediência, o herdeiro da promessa. Mas há uma marca em sua vida que muitas vezes passa despercebida: Abraão foi, antes de tudo, um homem de intercessão.


Sua trajetória nos ensina uma verdade poderosa: quem anda perto de Deus aprende, naturalmente, a carregar as necessidades dos outros diante do Senhor. Abraão não viveu apenas para receber bênção — ele se tornou canal de bênção através da oração.


Vamos caminhar pela vida de Abraão na ordem em que os fatos aconteceram, e veremos como sua intimidade com Deus foi, passo a passo, moldando nele um coração intercessor.


"E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei."— Ezequiel 22:30 (ARC)

Contexto


Deus estava denunciando os pecados de Jerusalém: corrupção, idolatria, violência e injustiça. Antes de executar o juízo, Ele declara que procurou alguém que se colocasse "na brecha", ou seja, um intercessor que clamasse pela nação e buscasse sua restauração. No entanto, Deus diz com tristeza: "porém a ninguém achei."


O que significa "estar na brecha"?


A expressão faz referência a uma brecha no muro de uma cidade. Quando um muro era rompido, o inimigo podia entrar. O homem que se colocava na brecha assumia uma posição de defesa, protegendo o povo.


Espiritualmente, estar na brecha significa:

  • Interceder por outras pessoas.

  • Clamar por uma família, igreja ou nação.

  • Colocar-se diante de Deus em favor daqueles que precisam de misericórdia.

  • Assumir responsabilidade espiritual em oração.


Ponto 1 — A intercessão nasce da comunhão

Texto: Gênesis 12:7-8; 13:4,18; 14:1-24


Antes de Abraão interceder por alguém, ele primeiro aprendeu a buscar a Deus.


Logo que chegou à terra de Canaã, a Bíblia registra que ele edificou um altar ao Senhor, em Siquém (Gênesis 12:7). Pouco depois, entre Betel e Ai, ergueu outro altar e ali invocou o nome do Senhor (Gênesis 12:8). Mais adiante, em Hebrom, junto aos carvalhos de Manre, edificou mais um altar (Gênesis 13:18).


Esses altares não eram apenas construções de pedra. Eram lugares de encontro, de comunhão, de oração. Cada vez que Abraão plantava sua tenda em um novo lugar, ele também construía um altar. Isso revela uma prioridade: onde quer que ele estivesse, sua primeira preocupação era manter viva a comunhão com Deus.


Depois de resgatar seu sobrinho Ló, que havia sido capturado na guerra dos reis (Gênesis 14:1-16), Abraão foi abençoado por Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, e adorou ao Senhor (Gênesis 14:18-20).


Lição: Ninguém intercede por outros sem antes cultivar intimidade com Deus. A vida de altar precede a vida de intercessão. Abraão só conseguiu ficar na brecha por Sodoma, por Ismael e por Abimeleque porque, muito antes disso, ele já havia aprendido a conversar com Deus.


Ponto 2 — A intercessão por um filho

Texto: Gênesis 17:15-22


Anos depois, quando Deus anunciou a Abraão que Sara daria à luz Isaque, o coração do patriarca se voltou imediatamente para outro filho: Ismael, nascido de Hagar.


Movido por amor paternal, Abraão clamou:

"Oxalá que viva Ismael diante de teu rosto!" (Gênesis 17:18)


Ele não queria perder o filho que já tinha. E Deus, atento ao clamor de Abraão, respondeu:

"Quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis que o tenho abençoado, e o farei frutificar, e o multiplicarei grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação." (Gênesis 17:20)


Deus ouviu a intercessão de um pai preocupado com o futuro de seu filho, e respondeu com bênção, multiplicação e propósito.


Lição: Deus também responde quando intercedemos pelos nossos filhos. A oração de um pai ou de uma mãe tem poder diante do trono de Deus.


Ponto 3 — A intercessão por uma cidade e por uma família

Texto: Gênesis 18:22-33; 19:29


Este é o episódio mais conhecido da vida intercessora de Abraão.


Antes de julgar Sodoma e Gomorra, Deus decidiu revelar Seu plano a Abraão. Ele mesmo disse:

"Ocultarei eu a Abraão o que faço?" (Gênesis 18:17)


Diante dessa revelação, Abraão não ficou calado. Ele se aproximou do Senhor e começou a interceder, num diálogo cheio de reverência e ousadia:

"E se houver cinquenta justos dentro da cidade? Destruirás e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que estão dentro dela?" (Gênesis 18:24)


Deus respondeu que pouparia a cidade por causa de cinquenta. Mas Abraão continuou insistindo — quarenta e cinco, quarenta, trinta, vinte, até chegar a dez (Gênesis 18:26-32).


No meio dessa intercessão, Abraão declarou uma verdade profunda sobre o caráter de Deus:

"Não faria justiça o Juiz de toda a terra?" (Gênesis 18:25)


Sodoma acabou sendo destruída, pois nem dez justos foram encontrados ali. Mas observe o que a Bíblia registra logo em seguida:

"E aconteceu que, destruindo Deus as cidades desta campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio da destruição." (Gênesis 19:29)


Ló foi salvo — não porque era perfeito, mas porque Deus se lembrou da intercessão de Abraão por ele.


Lição: A oração de um justo alcança pessoas que talvez nunca saibam que alguém intercedeu por elas. Ló provavelmente nunca soube, naquele momento, que estava vivo por causa das orações do seu tio.


Ponto 4 — A intercessão por um rei que o havia ofendido

Texto: Gênesis 20:1-18


Algum tempo depois, Abraão peregrinou até Gerar. Ali, por medo, disse que Sara era sua irmã, e Abimeleque, rei daquela terra, tomou Sara para si.


Durante a noite, Deus apareceu a Abimeleque em sonho e disse:

"Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ela tem marido." (Gênesis 20:3)


Abimeleque era inocente diante daquela situação, e assim se defendeu diante de Deus.


Então o Senhor lhe disse algo surpreendente:

"Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, porque ele é profeta, e rogará por ti, e viverás; mas, se lha não restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu." (Gênesis 20:7)


Note bem: Deus poderia ter curado e libertado a casa de Abimeleque diretamente. Mas Ele escolheu agir através da oração de Abraão. E assim aconteceu:

"E orou Abraão a Deus, e sarou Deus a Abimeleque, e a sua mulher, e as suas servas; e tiveram filhos." (Gênesis 20:17)


A esterilidade daquela casa só terminou quando Abraão intercedeu.


Lição: O intercessor liberta e restaura vidas — inclusive de pessoas que, em algum momento, o feriram ou o ofenderam.


O que aprendemos com Abraão


1. O intercessor conhece Deus.

Abraão conversava com o Senhor como amigo. Ele não se aproximava de Deus como estranho, mas como alguém íntimo (Gênesis 18:17).


2. O intercessor se preocupa com os outros.

Ele não orou apenas pelos seus próprios interesses. Pensou em Ló, em Ismael, em Abimeleque — pessoas que, muitas vezes, nem sabiam que estavam sendo carregadas em oração.


3. O intercessor persevera.

Diante de Sodoma, Abraão não fez um único pedido e desistiu. Ele insistiu, com reverência, até o fim.


4. O intercessor confia na justiça de Deus.

Mesmo intercedendo, Abraão reconhecia que Deus é justo e misericordioso ao mesmo tempo.


5. O intercessor influencia gerações.

Até hoje relembramos as orações de Abraão. Sua intercessão alcançou uma cidade, uma família, um rei e um filho.


Aplicação Pessoal


Assim como Abraão construiu altares antes de aprender a interceder, nossa vida de oração começa na intimidade diária com Deus — e só depois se transforma em intercessão por outros.


Pergunte ao seu coração:

Quem Deus colocou em sua vida para que você interceda?

  • Um filho ou uma filha?

  • Um casamento em dificuldade?

  • Um enfermo?

  • Um vizinho que ainda não conhece a Cristo?

  • Sua igreja? Sua cidade?


A intercessão começa exatamente no momento em que deixamos de olhar apenas para as nossas próprias necessidades e passamos a carregar, diante de Deus, as necessidades dos outros.


Conclusão:


Abraão não é lembrado apenas como o homem que saiu de Ur dos caldeus, nem apenas como aquele que ofereceu Isaque no altar. Ele também é lembrado como o homem que ficou na brecha — que se colocou entre o juízo e a misericórdia, entre a necessidade do próximo e o coração de Deus.


Que o Senhor levante, em nossos dias, homens e mulheres dispostos a fazer o mesmo: pessoas que constroem altares de comunhão e, a partir deles, aprendem a interceder por seus filhos, por suas famílias, por suas cidades e até por aqueles que um dia os ofenderam.

A pergunta que fica é simples: quem está esperando pela sua intercessão hoje?

Comentários


bottom of page