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Esboço de Pragação | Lucas 24:13-35

  • Foto do escritor: pastorivolucio
    pastorivolucio
  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

Introdução


O caminho de Emaús não é apenas uma estrada geográfica; é um retrato espiritual de muitos crentes. Dois discípulos caminhavam com Jesus, falavam de Jesus, ouviam Jesus… mas não O reconheciam. É possível andar com Cristo e ainda assim ter os olhos fechados espiritualmente. Porém, há um momento decisivo nesse texto: o partir do pão. Quando o pão é partido, algo sobrenatural acontece: os olhos se abrem e o coração arde.


Essa experiência aponta para uma verdade profunda que também se manifesta na Santa Ceia do Senhor.


1. Olhos Fechados, Mesmo com Jesus por Perto


Os discípulos estavam tomados pela frustração e pela decepção. A Bíblia diz que “os olhos deles estavam como que impedidos de o reconhecer” (Lucas capítulo 24, versículo 16).


Eles conheciam as Escrituras, sabiam dos fatos, mas interpretavam tudo apenas com a lente da dor. Jesus estava ali, mas eles viam apenas a cruz, não a ressurreição.


👉 Lição espiritual: A dor, a incredulidade e as expectativas frustradas podem nos cegar espiritualmente. Há crentes que frequentam a igreja, ouvem a Palavra, participam de cultos, mas ainda não discernem a presença viva de Cristo.


2. A Palavra Aquece o Coração, Mas Ainda Não Abre os Olhos


No caminho, Jesus passa a expor as Escrituras, começando por Moisés e todos os profetas, mostrando que o Cristo precisava padecer e entrar na sua glória (Lucas capítulo 24, versículos 25 a 27).


Mais tarde, eles mesmos confessam: “Porventura não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lucas capítulo 24, versículo 32).

O coração ardia, mas os olhos ainda não haviam sido abertos.


👉 Lição espiritual: A Palavra gera fé, aquece o coração, mas Deus reservou um momento específico para a revelação plena: a mesa.


3. No Partir do Pão, os Olhos se Abriram


O texto sagrado declara que, ao se assentarem à mesa, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e lhes deu. Nesse exato momento, “os olhos deles se abriram, e o reconheceram” (Evangelho de Lucas, capítulo 24, versículos 30 e 31).


Observe que a revelação não acontece no caminho, nem apenas na exposição das Escrituras, mas no gesto do partir do pão. Esse ato não foi casual; foi profundamente simbólico e espiritualmente poderoso.


3.1 O Gesto que Revela Cristo


O gesto de tomar o pão, agradecer e partir era inconfundível. Foi o mesmo gesto realizado por Jesus:

  • Na multiplicação dos pães, quando Ele tomou os cinco pães, ergueu os olhos aos céus, deu graças, partiu-os e os deu aos discípulos (Evangelho de Lucas, capítulo 9, versículo 16).

  • Na última ceia, quando Ele tomou o pão, deu graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo dado por vós” (Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículo 19).


Ao repetir esse gesto em Emaús, Jesus estava dizendo sem palavras: “Sou Eu”. O Cristo ressuscitado se revela na mesa.


3.2 Olhos Espirituais Abertos pelo Espírito de Deus


A abertura dos olhos não foi apenas emocional ou intelectual; foi espiritual. A Escritura afirma que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus” (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 2, versículo 14). Por isso, somente quando o Espírito atua, a revelação acontece.


Assim como Eliseu orou para que os olhos do seu moço fossem abertos para ver o exército celestial (Segundo Livro dos Reis, capítulo 6, versículo 17), em Emaús Deus abriu os olhos daqueles discípulos para enxergar a realidade espiritual: Cristo estava vivo.


3.3 O Partir do Pão Como Lugar de Comunhão e Revelação


A igreja primitiva compreendeu essa verdade. A Bíblia diz que os primeiros cristãos perseveravam:

  • na doutrina dos apóstolos,

  • na comunhão,

  • no partir do pão,

  • e nas orações(Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículo 42).


O partir do pão não era apenas refeição; era ambiente de revelação, presença e comunhão com Cristo. Tanto que, em outra ocasião, Paulo afirma que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 10, versículo 16).


3.4 Do Pão Material ao Pão Vivo


O pão partido aponta para uma realidade maior. Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim jamais terá fome” (Evangelho de João, capítulo 6, versículo 35). E ainda: “O pão que eu darei é a minha carne, a qual darei pela vida do mundo” (Evangelho de João, capítulo 6, versículo 51).


Ao partir o pão em Emaús, Jesus estava revelando que:

  • O sacrifício foi aceito

  • A morte foi vencida

  • O Pão Vivo estava presente


3.5 Revelação que Antecede a Missão


Logo após o reconhecimento, Jesus desaparece da presença deles (Evangelho de Lucas, capítulo 24, versículo 31). Isso nos ensina que a revelação não é para retenção, mas para envio.


Assim como Isaías, que ao ter seus olhos abertos declarou “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Livro de Isaías, capítulo 6, versículo 8), os discípulos de Emaús tiveram seus olhos abertos para se tornarem testemunhas do Cristo ressurreto.


4. O Partir do Pão e a Santa Ceia do Senhor


O episódio de Emaús não pode ser separado da doutrina da Santa Ceia. O que aconteceu naquela mesa aponta diretamente para aquilo que a igreja vive até hoje quando se assenta diante do pão e do cálice.


Quando Jesus partiu o pão em Emaús, Ele não estava apenas compartilhando uma refeição comum, mas manifestando uma realidade espiritual que já havia sido estabelecida na última ceia.


4.1 A Mesa Como Lugar de Aliança


Na noite em que foi traído, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículo 19). Em seguida, tomou o cálice e declarou: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículo 20).


A Santa Ceia é, portanto, mesa de aliança, assim como foi a mesa de Emaús. O Deus da Bíblia sempre se revelou em mesas de aliança:

  • Melquisedeque trouxe pão e vinho a Abraão (Livro de Gênesis, capítulo 14, versículo 18);

  • Deus preparou uma mesa no deserto para Israel (Livro dos Salmos, capítulo 78, versículo 19);

  • O Senhor prepara uma mesa na presença dos inimigos (Livro dos Salmos, capítulo 23, versículo 5).


Em Emaús, Jesus reafirma que a aliança permanece viva, porque Ele ressuscitou.


4.2 A Santa Ceia Como Discernimento Espiritual


O apóstolo Paulo adverte a igreja de Corinto sobre a necessidade de discernimento ao participar da Ceia. Ele afirma que aquele que come do pão e bebe do cálice indignamente o faz por não discernir o corpo do Senhor (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 11, versículos 27 a 29).


Em Emaús, os discípulos não discerniam quem estava com eles até o momento do partir do pão. Assim também acontece hoje: muitos participam da Ceia, mas sem discernimento espiritual.


👉 Na Santa Ceia:

  • Discernimos o corpo de Cristo

  • Discernimos a obra da cruz

  • Discernimos a presença viva do Senhor


É por isso que Paulo diz que muitos estavam fracos e doentes por não discernirem corretamente (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 11, versículo 30).


4.3 O Pão Partido Anuncia a Morte e a Ressurreição


A Ceia não anuncia apenas a morte, mas também a vitória. A Escritura afirma: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 11, versículo 26).


Em Emaús, o pão partido não apontava mais para um Cristo morto, mas para um Cristo ressuscitado. A mesa se torna o lugar onde a cruz e a ressurreição se encontram.


O Cristo que parte o pão é o mesmo que venceu a morte, conforme declarado em:

  • Carta aos Romanos, capítulo 6, versículo 9;

  • Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 15, versículos 3 a 8.


4.4 Comunhão Viva com o Cristo Ressurreto


O apóstolo Paulo ensina que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo (Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 10, versículo 16). A palavra “comunhão” carrega a ideia de participação real.


Assim como os discípulos de Emaús participaram de uma mesa com o Cristo vivo, a igreja participa hoje de uma comunhão viva com o Senhor ressuscitado.


Jesus prometeu estar presente à mesa: “Eis que estou convosco todos os dias” (Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículo 20). E também declarou: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele” (Livro do Apocalipse, capítulo 3, versículo 20).


4.5 A Mesa Que Abre os Olhos e Restaura o Caminho


Na Santa Ceia, assim como em Emaús, Deus abre olhos espirituais:

  • para enxergar o perdão (1 João 1:7 Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. );

  • para restaurar a esperança (Romanos 15:13 Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pelo poder do Espírito Santo. );

  • para renovar a fé no Cristo vivo ( Hebreus 12:2 Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. ).


A mesa não é o fim do caminho; é o ponto de virada. Em Emaús, os discípulos mudaram de direção. Na Ceia, Deus realinha o nosso caminhar.


5. Olhos Abertos Geram Movimento e Testemunho


Após reconhecerem Jesus, os discípulos não permaneceram parados. Mesmo sendo noite, voltaram imediatamente para Jerusalém para anunciar que o Senhor havia ressuscitado (Lucas capítulo 24, versículos 33 e 35).


👉 Quem tem os olhos espirituais abertos não consegue ficar no mesmo lugar.

👉 A revelação gera missão.

👉 A mesa gera envio.


Conclusão


No caminho de Emaús, aprendemos que:

  • É possível caminhar com Jesus e não reconhecê-Lo

  • A Palavra aquece o coração

  • Mas é no partir do pão que os olhos se abrem


Que, toda vez que participarmos da Santa Ceia do Senhor, não seja apenas um ato religioso, mas um momento de revelação, cura espiritual e renovação da fé.


Que, ao partir do pão, os nossos olhos espirituais também se abram, para vermos Cristo não apenas com a mente, mas com o coração cheio de fé e discernimento.

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